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| Caravela Portuguesa |
Durante a sua infância, Portugal foi o país exótico onde nascera, mas que ia apenas descobrindo através das histórias que lhe contavam. Um país donde os seus antepassados tinham partido em caravelas para conquistar o mundo. Uma terra com quatro estações, onde caía neve no Inverno, onde havia cidades, gente e frutos, com nomes, ideias e sabores estranhos. Onde viviam avós, tios e outros familiares que enviavam fotografias e cartas.
Cartas às quais era preciso por vezes responder, nem sempre de boa vontade, pois não percebia bem que interesse poderiam ter esses familiares, habitantes dum lugar tão distante, naquilo que ele fazia ou pensava.
As cartas traziam também notícias das consequências duma grande guerra de antes do seu tempo. Umas queixavam-se de Salazar que, contrariamente a Churchill em Inglaterra, se eternizava no poder. Outras, temiam o regresso ao descalabro das lutas partidárias que tinham arruinado o país antes desse tal Salazar se ter tornado presidente, ou o que fosse que chamavam a quem mandava.
Do que ouvia nas conversas dos adultos, imaginava as arcas encoiradas que aparentemente voltavam então de Londres, cheias dos cruzados de ouro do Brasil com que os republicanos maçónicos tinham financiado o regabofe após matarem o Rei.
O seu país era exótico, indeed.
JSR

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